Y cuando me pongo a mirar sus ojos y a oir sus palabras es que en la verdad estoy bailando al sonido de una canción indie que usted ya me habló.
sábado, 31 de dezembro de 2011
Retazos
Y cuando me pongo a mirar sus ojos y a oir sus palabras es que en la verdad estoy bailando al sonido de una canción indie que usted ya me habló. Bem vindo ano velho!
Uma síntese de tudo que já é:
Dá-se entrada ao mesmo mil novecentos e tantos.
Esperança por um mundo melhor:
Pobreza, exploração e temor.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
sábado, 17 de dezembro de 2011
Dois mil e onze Eus
Passava a temporada de provas e indecisões quanto à carreira a se seguir. Finalmente receberia o resultado daquilo que houvera investido nos últimos anos. Merecia, portanto, férias, boas férias. Visitou os parentes e amigos, que tanto o incentivaram e tentou retribuir a atenção negada nos meses anteriores.Primeiramente reencontrou os verdadeiros amigos de infância, aqueles com quem dividia banhos, brincadeiras e muitas traquinagens. Mesmo assim, imerso em nostalgia, não conseguia manter-se ali por completo, sua mente o deslocara para outros estados, precisava da confirmação de aprovação naquilo que tinha garantido monopólio em sua vida nos últimos meses. Não tardou muito e a notícia reconfortante, íntima, mas incrivelmente comunitária foi exposta e entregou-lhe o ingresso para um mundo, que ele não tinha a noção da grandiosidade.
Já liberto da pressão de outrora, ele partiu para conhecer um indivíduo, um amigo, um irmão, que entre bossas e conselhos, inseriu o calouro da vida em sua caminhada rumo à maturidade.
De volta ao lugar onde formou-se até aquele momento e trazendo na bagagem um arsenal de convicções e concretizações começou a adentrar no recanto que almejou a cada noite mal dormida. Rejeitou a injustiça, purificou-se ao negar o sofrimento alheio em vantagem própria e aceitou definitivamente o que sua racionalidade já latejava: a inexistência de um ser que tudo coordena e condena. Pesquisou, leu e aprendeu sobre os assuntos que antes não possuía a coragem necessária para encará-los.
Fez novos amigos e encontrou pessoas imprescindíveis para sua construção. Deparou-se com ideologias e vem se construindo paulatinamente. Aprendeu na prática o clichê de não julgar o livro pela capa e leu, leu muito, as literaturas mais excêntricas.
Pela primeira vez preferiu a razão à emoção e travou batalhas constantes contra preceitos tingidos em sua "tábula rasa". Experimentou sabores, aromas e sensações. Foram muitas as sensações, desde a simplicidade de uma gota de chuva até a introspecção de uma lágrima. Dias, meses, anos. 365, 12, 19. Consolidação de verdades, sentimentos e convicções. Reinvenção de um EU.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Forçosamente desatado
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Nem tão simples quanto parece
Entrou na livraria com um único objetivo: encontrar o livro com que flertava há alguns meses, mas que ainda não havia entrado em sua vida turbulenta. Apesar de querê-lo muito, sempre se via pressionado a terminar leituras anteriores e a dedicar atenção àquelas que apareciam de modo repentino. Todavia, estava ali para descobri-lo mais adentro, para tocá-lo, sentir o seu "cult aroma" e por fim levá-lo para casa e retê-lo junto de si durante os prováveis muitos dias de leitura prazerosa. Procurou, procurou, procurou... "Onde ele está?".- Infelizmente acabaram os exemplares. Proferiu a voz rouca atrás do balcão.
Lastimou-se por ter postergado seu flerte até aquele momento. Preferiu retornar à sua habitação e continuar com as leituras que mantinha em seu cotidiano. Mas agora não faziam mais sentido.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Porque às vezes o clichê é exatamente o que abranda
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Por que te vas?
"Bajo la penumbra de un farol
se dormirán
Todas las cosas que quedaron por decir
se dormirán
Junto a las manillas de un reloj
despejarán
Todas las horas que quedaron por vivir
esperarán.."
sábado, 19 de novembro de 2011
Repetição
Cavou a terra, levou suas mãos sujas ao rosto e percebeu a lama carimbada junto de seu suor. Lançou as sementes e com elas seu último respingo de esperança. Com certeza dessa vez receberia a piedade de Deus, finalmente comeria e daria de comer. Volveu à pequena casa que mantinha junto de sua lavoura. Acompanhou o vinil tantas vezes reproduzido e sentiu falta dos reclames e orações entoadas de modo simultâneo à voz rasgada daquele bolero. Gritou pela mulher; não obteve resposta. Pôs-se a procurá-la meio a plantações secas e mortas que mantinha como que com a esperança de que um sopro de vida respingasse o verde já perdido. Encontrou a mulher prostrada sobre as próprias pernas, inerte. Aproximou-se e não obteve reação. Reparou na antiga manjedoura e inundou os olhos com o triste retrato que visualizava: a criança, que outrora foi recebida como sinal da futura prosperidade daqueles recém-casados, estava lá, petrificada, acinzentada e não mais faminta. A mãe, culpando-se, não manifestava atitude, mas repetia em sua mente tantas vezes questionada: "Deus, meu Deus, porque escolher entre plantar e comer? Entre hoje e amanhã? Entre mim e um pedaço de mim?" E a história se repetiu. terça-feira, 15 de novembro de 2011
Aula de teatro

Impulsionar o calcanhar. Subir na ponta do pé, do seu pé. Rodar. Rodar. Correr. Correr depressa. Cansar. Não pause! Levar o corpo ao limite. Movimentar-se espontaneamente e rodar. Desejas maior felicidade?
Fazer o que quiser sem censura, mas mistura. Entrelaçar o corpo sujo sobre este piso de flores caídas. Sim, rodopios inocentes me dão tesão e você nunca diz eu te amo, assim como eu. Mas a fadiga já fragmenta as nossas frases.
domingo, 28 de agosto de 2011
Intersecção de Marias
Acordou. Fez café. Conferiu a carroça.
Acordou. Pediu café. Conferiu o carro.
Acordou. Dormiu. Dormiu.
Carregou água. Cansou. Lavou roupas.
Visitou investidores. Cansou. Leu protocolos.
Atuou. Cansou. Ouviu música.
Ordenhou animais. Colheu legumes. Sorriu.
Despachou processos. Assinou contratos. Sorriu.
Levantou. Leu um romance. Sorriu.
Visitou parentes. Falou dos filhos. Lembrou-se do jantar.
Visitou parentes. Falou do trabalho. Lembrou-se do e-mail.
Visitou parentes. Falou da peça. Lembrou-se do ensaio.
Beijou os filhos. Boa noite. Arrumou a cama.
Beijou o marido. Boa noite. Deitou na cama.
Beijou a cachorro. Boa noite. Não tinha cama.
Chorou pela vida que tem. Rezou. Dormiu.
Chorou pelo marido que tem. Virou. Dormiu.
Chorou por não ter ninguém. Levantou. Não dormiu.
Juan
sábado, 27 de agosto de 2011
Pablo
Luz, muita luz. Um dia como há muito não se via. Sol totalmente exposto, céu cinza de poluição, muitos helicópteros voando, fábricas lançado sua névoa de desenvolvimento ininterruptamente. Enfim, um dia perfeito. Pessoas andam autônomas pelas ruas, desviam de mendigos nas calçadas e temem negros. Assaltos já estão previstos na Constituição Federal do povo – Não reaja.sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Cristóvão
Pessoas caminham indiferentes nas avenidas. Animais fazem suas necessidades livremente. Carros equipados com auto-falantes anunciam mais uma campanha de vacinação. Vendedores ambulantes emolduram as ruas e se encarregam de criar a trilha sonora dos logradouros públicos. Enquanto isso as pessoas vivem suas vidas de modo autônomo, ninguém se interessa verdadeiramente pelos problemas dos outros. Os avanços tecnológicos afastam cada vez mais os indivíduos, quase não se alimentam relações sociais, tornou-se mais fácil mandar um e-mail ou estender o número de amigos da mais nova rede social da internet. Os amigos virtuais se propagaram de modo tão efêmero que as amizades intersubjetivas estão quase se extinguindo.
Nesse meio, vive Cristóvão, um enfermeiro solteiro, baixo, negro, pobre e indiferente aos olhos dos demais - com tais adjetivos não teria como não ser indiferente. Trabalha num hospital psiquiátrico feminino, não que goste da profissão, na verdade enfermagem era o curso mais barato a se fazer, levando o seu livre-arbítrio a optar somente entre ter profissão e não ter profissão – Garoto de sorte, ainda teve opções!
Cristóvão trabalha de segunda a sábado e trata da medicação das enfermas; nunca teve uma namorada e o maior atrativo de sua vida era poder viver em dois mundos, um dentro do hospital e um fora. Para ele o ambiente da loucura representava a máxima liberdade do mundo exterior, já que ninguém queria saber o que se passava com aquelas loucas, assim, a vida das infelizes representava um mundo diferente, um mundo sem normas legislativas, um lugar onde cada um era juiz e réu de si mesmo.
Cerca de trinta internas habitavam o hospital, Cristóvão adorava observá-las, o rapaz gostava da irreverência e extroversão das loucas, era como poder fazer o que se tinha vontade sem se preocupar com os observadores. A loucura nunca pareceu ruim para Cristóvão, mesmo escutando murmúrios de todos os lados, palavras que renegavam a condição de insanidade, como se fosse um crime. Pobres criminosas, então, pensava o moço, cometem um crime sem ter noção que são delinqüentes sociais. Observando as loucas, Cristóvão atenta para uma moça jovem, clara e com uma boneca. Deve ser nova no internamento, o enfermeiro nunca a tinha visto. O rapaz acompanhou a moça durante toda a tarde, parecia embriagado pela ingenuidade e desvirtues da menina – às vezes os defeitos são a parte mais atrativa. Cristóvão não esqueceu a moça durante toda a noite, no caminho pra casa obrigou o seu cérebro a repetir em câmera lenta todos os movimentos desordenados da jovem louca, aquilo parecia lindo para Cristóvão, era como um balé contemporâneo.
No dia seguinte fez questão de chegar mais cedo e acompanhar a moça desde o café da manhã. Cristóvão não entendia como aquela menina estava imersa em tão medíocre situação, ela era linda demais para isso – Ninguém pode ter tudo. O enfermeiro estava encantado e transbordava ainda mais quando via sair da boca da louca palavras distorcidas e frases sem coesão, era como um exercício de decifração, aquilo deveria ter um sentido, pensando assim passou dias tentando compreender a menina – sem grandes resultados.
Cristóvão estava verdadeiramente apaixonado pela jovem louca, mas sabia que não poderia fazer nada para assumir seu sentimento, já que a ética não permitia tamanha indecência – Maldita ética. Começou então a ajudá-la com mais afinco e paixão. Iniciou tratamentos novos e deu seus remédios em horários britânicamente calculados – Como seria bom que todos se apaixonassem por um paciente. Dia a dia, palavra a palavra, surto a surto, coesão a coesão foi-se passando o tempo. A louca se recuperava, mas a medida que voltava ao estágio normal de sanidade, perdia a irreverência da loucura, os trejeitos da insanidade a liberdade que tinha.
Curada, a moça não mais louca já não era tão atraente para Cristóvão, o enfermeiro somente reintroduziu mais uma pessoa egocêntrica e indiferente ao mundo exterior. Aquela criatura sã não era nada mais que uma criatura, para o rapaz. Naquela noite Cristóvão foi pra casa e não dormiu, não dormiu no dia seguinte, não dormiu durante uma semana. Como era possível? Era como se a menina fosse uma pessoa quando dentro do mundo do hospital e outra quando fora. Ela deveria ter permanecido interna, como pude fazer isso, questionava-se. O enfermeiro passou a falar menos, a falar pouco, a não falar. A comer menos, comer pouco, não comer. A andar menos, andar pouco, não andar. A viver menos, viver pouco, não viver. Às vezes o arrependimento mata – sabedoria popular.






