segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Eu um Ela. Ela um Eu.

Parecia alta demais, seu tênis rasteiro combinado com um óculos gracioso mais me afastava que prendia. Sorrisos frouxos: pretensão. Era em demasia, explosão, desaflorava e depois contraía, um pulsar que me deixava duvidoso. Falava-me como igual e nos cruzamos na semelhança. Sede de novo, pelo novo, mais uma vez. Era impossível não prender, prender-me e prendê-la. Falávamos, simples e não tão puramente, falávamos e sorríamos, sorrisos frouxos, aqueles pretensiosos; éramos a pretensão. Novas gírias, palavras grandes, velhas verbetes, repetíamos as grandes, involuntariamente repetíamos quase que sempre a mesma grande palavra, um palavrão. Eram nossos dias, precisávamos tomar nota, respirar fundo na entrada do picadeiro e guardar aquele aroma de novidade, de conquista, revolução. Sabíamos que sentiríamos o aroma de novo, e sentimos,  tomamos nota, conquistamos, revolução. Trocamos palavras, pequenas e grandes, algumas minúsculas, quase não audíveis; outras enormes, difíceis de acompanhar. Dividimos a culpa pela inconsequência de um amor medroso, dividimos bem tarde é certo, mas compartilhamos com a cumplicidade afrouxadora de expressões. Caímos em braços, nos nossos, nos dos outros, há braços constatamos; pelos nossos decidimos. Um abraço longo, parado no tempo, no encontro do chegar, na saudade do ir. Caímos sem reserva, ficamos sem reserva, reserva não temos para concluir que eu era ela e ela um clone de mim.

domingo, 12 de agosto de 2012

One more doubt here to save my never

É meio estranho, completamente estranho.
uma nostalgia, mas não foi vivido.
"Old age": amarga, sozinha, sozinho.
Um cheiro sentido, sem sentido.

Um acorde corriqueiro:
junto, preso, suado.

Sinal de fumaça lançado!
preparar reação involuntária
entranhada no músculo escuro
É completamente estranho, meio estranho: old age.