terça-feira, 29 de novembro de 2011
Porque às vezes o clichê é exatamente o que abranda
Partiu despretensioso para subverter seu caráter íntegro. Encontrou novos amigos e uma em especial lhe roubou o olhar, mas ofertou o dela para outro companheiro. O tempo passou e ele esqueceu o roubo, uma vez que as atividades cotidianas já o deixavam cego. Mas, ao revê-la, percebeu que ela ainda não tinha devolvido o seu olhar e, por conta disso, o rapaz continuava sem ver. Tentou pegá-lo discretamente, mas continuou sem suas vistas. Tentou pedir um pouco mais explicitamente e nada aconteceu. Preferiu deixar o seu olhar com ela e prosseguir. Não obteve êxito e concluiu que precisava enxergar para seguir em frente. O problema é que ela não devolve o olhar dele e ele não sabe se realmente o quer de volta.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Por que te vas?
"Bajo la penumbra de un farol
se dormirán
Todas las cosas que quedaron por decir
se dormirán
Junto a las manillas de un reloj
despejarán
Todas las horas que quedaron por vivir
esperarán.."
sábado, 19 de novembro de 2011
Repetição
Cavou a terra, levou suas mãos sujas ao rosto e percebeu a lama carimbada junto de seu suor. Lançou as sementes e com elas seu último respingo de esperança. Com certeza dessa vez receberia a piedade de Deus, finalmente comeria e daria de comer. Volveu à pequena casa que mantinha junto de sua lavoura. Acompanhou o vinil tantas vezes reproduzido e sentiu falta dos reclames e orações entoadas de modo simultâneo à voz rasgada daquele bolero. Gritou pela mulher; não obteve resposta. Pôs-se a procurá-la meio a plantações secas e mortas que mantinha como que com a esperança de que um sopro de vida respingasse o verde já perdido. Encontrou a mulher prostrada sobre as próprias pernas, inerte. Aproximou-se e não obteve reação. Reparou na antiga manjedoura e inundou os olhos com o triste retrato que visualizava: a criança, que outrora foi recebida como sinal da futura prosperidade daqueles recém-casados, estava lá, petrificada, acinzentada e não mais faminta. A mãe, culpando-se, não manifestava atitude, mas repetia em sua mente tantas vezes questionada: "Deus, meu Deus, porque escolher entre plantar e comer? Entre hoje e amanhã? Entre mim e um pedaço de mim?" E a história se repetiu. terça-feira, 15 de novembro de 2011
Aula de teatro

Impulsionar o calcanhar. Subir na ponta do pé, do seu pé. Rodar. Rodar. Correr. Correr depressa. Cansar. Não pause! Levar o corpo ao limite. Movimentar-se espontaneamente e rodar. Desejas maior felicidade?
Fazer o que quiser sem censura, mas mistura. Entrelaçar o corpo sujo sobre este piso de flores caídas. Sim, rodopios inocentes me dão tesão e você nunca diz eu te amo, assim como eu. Mas a fadiga já fragmenta as nossas frases.
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