quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Humano: não: Humano
Eu quero a tua alma: humana. Lamento-me e recaio, desemboco enfermo, enfermo de alma. Necessito do complemento. Viajo em divagações complexas que me deixam cada dia mais preso, preso em mim. Chuviscos de tristeza pousam em minha cabeça, não me deixam, estou sozinho, pequeno, nada e tudo. A infinitude e o ponto. Necessito de uma alma: humana. Recolho minhas prosas e me encaixo em poemas melancólicos feitos para o senso comum que me acaba de dizer "olá". Estou em mim, em angústia, preciso de uma alma, de um corpo. Mas o que é alma senão um corpo? O que é corpo senão alma? Preciso de mim, de um corpo, um corpo rígido, uma alma:humana.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
No dia em que cheguei em mim
No dia em que cheguei em mim, saí da margem do rio, afastei-me, parei de ver o reflexo do sol. Cheguei em mim e fiquei distante do código, fiquei de pé. Tomei as dores, pensei, encontrei o mundo dentro de mim. Foi assim, homo sapiens deixando de ser para Humano se tornar. No dia em que cheguei em mim, observei o valor do tempo, do meu tempo pensante interligado com o tempo atuante dos outros, uma infeliz constatação, a venda do tempo, lobos em ringues, milhares contra um, milhares derrotados. No dia em que cheguei em mim me tornei você, me tornei ela, ele, a, o, X. Estive ali, do lado, escrevi, elas ainda morrem. Passei a viver mais em nós, caminhei sobre curvas, em degraus altos, distantes, de onde jogam o pão e os palhaços para o picadeiro logo ali embaixo, plateia de milhares, fome de milhares. No dia em que cheguei em mim descobri o que é gente, pessoa, o que é choro, riso e humanidade. No dia em que cheguei em mim, morri e nasci, nasci e morri: numa dialética interminável.
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