quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Cultivo de cativo

E me tinha determinado que quem realmente interessa, quem de mim levou um tanto, estaria descrita em algum verso poético ou torto. Não entendo, pois, essa motivação, de te escrever se nem em mim vivias há pouco e de passagem efêmera já se foi. Não te notei no sempre, mas no ali, naqueles dias, tornei-me pedaço de cativo, cultivo talvez. De certo, todavia, emaranhaste-me nessa tua teia tecida com requintes de perfeição, perfeição cruel. Estava já inerte, rapidamente enraizado nesse verde tênue e aterrorizante reflexo levemente fechado pela abertura de um sorriso intimidante. Conversas fáceis, sorrisos purificadores de maus dias, palavras ambiguamente poéticas, poeticamente eróticas. De certezas em segundos de confusão a silêncios de pouco tempo de convívio, te encontrei e perdi de modo igual. Eternamente responsáveis um pelo outro, nossa eternidade rápida, sua rápida infinitude que pelo jeito conseguiu me tirar essas palavras.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Paradoxo apaixonante

Pensava que sabia proteger, ser fiel, que sabia amar: não sabia. Ela tão experiente, tão adulta, independente e forte sorria manhoso e vergonhosamente para ele: crente da vida. Caminhos em muito diferentes, palavras tão iguais, um encontro e se viram mais próximos, até geograficamente, surgia amor. Linda sempre foi e apesar de aparente madurez, derramou-se em inocência, inocência pelo não vivido, pelo descontato, pelo receio de errar, medo da repetição. Ele que de pronto se apaixonou, assimilou a inocência como qualidade extrema e encontrou o que mais buscava: humanidade. Em grandes noites deparou-se com a mistura quase paradoxal da ingenuidade e da carne, sua beleza só aumentou e de logo formaram vidas difíceis de descruzar, complicadas de descrever sem referenciar um ao outro. Compartilharam pedaços de nostalgia, sentimento e filosofia assim, simploriamente, em conversas brandas, entre risos e respingos de alma. Recaíram como crianças, laços fortes demais, amor difícil de definir. Encontraram confiança entre luas e mares, viajaram em ondas de afeto no lugar deles, o melhor lugar do mundo. Ele que não sabia amar, encontrou o amor e a verdadeira fidelidade nela, um paradoxo apaixonante. Brincadeiras inusitadas, palavras fragmentadas e abraços apertados: um amor encontrado na vida: difícil de desfazer.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Balelas angustiantes acerca da liberdade

Leio discursos de proclamação da liberdade: preso. Caminho entre as calçadas, uma moldura pros carros, pro meu sentimento aberto. Transgrido normas pelo meu bem, normas promotoras da liberdade, meu bem, minha liberdade solitária. Caminho na estradinha de paralelepípedos preservada no meio da metrópole, sinto-me mais eu por um momento, mais livre. Meu coração se descaminha pela liberdade emoldurada. Digo palavras de ordem que me tranquilizam e me entristecem. Recaio em madrugadas angustiado, mas livre. Prendo minha atenção, aprisiono minha curiosidade para memorizar algumas hipóteses de condenação. Continuo livre, sozinho. Se grito em desespero me respondem em sobrancelhas curvadas. Se eles gritam em desespero, têm suas carnes com marcas. Caminho entre as calçadas e estou livre e sozinho. Saio de ambientes noturnos: livre. Planejo estudos conscientemente humanos e me paraliso lendo técnicas de instituir a liberdade. Estou livre para estar livre, mas minha insônia, meu apego, minha aula de obrigações me impedem de ser livre, coisa que não tenho permissão. Permissão para ser.