quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

No dia em que cheguei em mim

No dia em que cheguei em mim, saí da margem do rio, afastei-me, parei de ver o reflexo do sol. Cheguei em mim e fiquei distante do código, fiquei de pé. Tomei as dores, pensei, encontrei o mundo dentro de mim. Foi assim, homo sapiens deixando de ser para Humano se tornar. No dia em que cheguei em mim, observei o valor do tempo, do meu tempo pensante interligado com o tempo atuante dos outros, uma infeliz constatação, a venda do tempo, lobos em ringues, milhares contra um, milhares derrotados. No dia em que cheguei em mim me tornei você, me tornei ela, ele, a, o, X. Estive ali, do lado, escrevi, elas ainda morrem. Passei a viver mais em nós, caminhei sobre curvas, em degraus altos, distantes, de onde jogam o pão e os palhaços para o picadeiro logo ali embaixo, plateia de milhares, fome de milhares. No dia em que cheguei em mim descobri o que é gente, pessoa, o que é choro, riso e humanidade. No dia em que cheguei em mim, morri e nasci, nasci e morri: numa dialética interminável.

Nenhum comentário:

Postar um comentário