Já tentei por vezes, relutando comigo pelo não fazer, escrever. Nessa ciranda tanto uniforme como inconstante que produzi: eu produzi? Estava eu, aí está você. Se de antes te afastava pela minha insegurança, me prendi aos poucos em teus versos sutis de prudência pouco eucarística. Degluti teu encanto com surpresa e saciei uma fome de poesia que me perseguia há tempos, uma poesia lutadora, erótica, só sua, mas invariavelmente minha, quase minha, como você. Te achei depois dos outros, mas te prendi, te servi, te desejei para todos, por mim. Entrei em madrugadas de descobertas, me enchi de privilégio, de amor, mas de culpa, tanta culpa. A cada minúcia compartilhada reciprocamente senti existências maniqueístas de modo concomitante. Te tornei minha dama da dança, de xotes, lambadas e funks, tornaste-me teu, só teu, numa sintonia unificadora. Foi de tanto te observar, te guardar, que te ofendi, me achei assim, um qualquer, um racional estúpido. Mas te amei, te amei como nunca, te amei só, te amei em divisão, em trio. Na fantasia de te reconquistar, recebi o avesso do meu pensamento. No grito abafado da minha revolução, recebi tua voz, gritamos juntos, ecoamos sons abertos. Te queria só pra mim, como eu penso, te queria dentro de mim, como eu vejo. Mas te perdoo por seres humana, por atrasares na chegada, procrastinando um abraço. Te perdoo por não seres de todos, por não seres minha, por ser sua, só sua.
domingo, 25 de novembro de 2012
Teu solinho de piano, só teu é
Já tentei por vezes, relutando comigo pelo não fazer, escrever. Nessa ciranda tanto uniforme como inconstante que produzi: eu produzi? Estava eu, aí está você. Se de antes te afastava pela minha insegurança, me prendi aos poucos em teus versos sutis de prudência pouco eucarística. Degluti teu encanto com surpresa e saciei uma fome de poesia que me perseguia há tempos, uma poesia lutadora, erótica, só sua, mas invariavelmente minha, quase minha, como você. Te achei depois dos outros, mas te prendi, te servi, te desejei para todos, por mim. Entrei em madrugadas de descobertas, me enchi de privilégio, de amor, mas de culpa, tanta culpa. A cada minúcia compartilhada reciprocamente senti existências maniqueístas de modo concomitante. Te tornei minha dama da dança, de xotes, lambadas e funks, tornaste-me teu, só teu, numa sintonia unificadora. Foi de tanto te observar, te guardar, que te ofendi, me achei assim, um qualquer, um racional estúpido. Mas te amei, te amei como nunca, te amei só, te amei em divisão, em trio. Na fantasia de te reconquistar, recebi o avesso do meu pensamento. No grito abafado da minha revolução, recebi tua voz, gritamos juntos, ecoamos sons abertos. Te queria só pra mim, como eu penso, te queria dentro de mim, como eu vejo. Mas te perdoo por seres humana, por atrasares na chegada, procrastinando um abraço. Te perdoo por não seres de todos, por não seres minha, por ser sua, só sua.
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