quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Se de amor eu sofrer

Esse ventinho brando
meu peito esfumaçado quente
teu olho preso no meu
se de amor eu sofrer.

Pisando numa poça d'água
acordo e sinto a sua temperatura
se de amor eu sofrer
te amarrarei num cata-vento no quintal,

Graminha verde, um gafanhoto.
Te amo olhando deitado
lampejos de sol na cara
peito e bochechas quentes.

se de amor eu sofrer
deixe-me num campo, num bosque
aqui, sob os ventos catados por você
e guardados em mim.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Palavras redundantes, qual o amor.

Precisava ouvir uma canção que me lembrasse você, que me trouxesse seus olhinhos aos meus numa lembrança risonha. Não que seja um árduo trabalho de ti recordar, pelo contrário, mas eu prefiro o gozo de reviver nossos momentos em clipe, prefiro sorrir sozinho ouvindo o solo do violão enquanto relembro dos pulinhos dançantes que dividimos em instantes não fotografados, mas por certo fossilizados em minha mente.
Precisava ler um poema que me lembrasse você, que me fizesse olhar para o céu e pra constelação impressa na sua pele como um sinal de especialidade, como um chamariz para que todos a ti recorram e encontrem doces versos dóceis que pulam aos dedos se não presos com força. "Fechem a mão, camaradas! Não deixem a sutileza escapar!", grito por dentro. Em dias de razão, tê-la é conhecer uma licença poética frente a frente, re-sentir a infância, segurar um sapo na mão com um sorriso de primeiro lugar no pódio.
Precisava ver um filme que me lembrasse você, que me surpreendesse numa noite ou manhã qualquer com uma frase que por si me fizesse calar e chorar, que me deixasse em mim durante alguns minutos. A necessidade de manter abertos os olhos, de prender a visão em você em busca da sensibilidade que a próxima cena vai trazer, não posso fechar as vistas,  pode ser agora.
Na arte, no sol, no livro: você. De versos rimados, frases espontâneas e carinho na pele. Um quadro surreal fixado nas paredes da habitualidade: genial, profundo e risonho; meu por ter a mim cativado; de todos por ser impossível não cativar.
Na beleza do falar, na poesia do existir, te ler de-va-ga-ri-nho para decorar os traços e ligar os teus sinais. A vida é mais feliz contigo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Na hora

Ora, que sopro. Subtraem-se os pensares, os titubeios, os lutos e as línguas auto-mordidas. Que de resto fica? Os passeios, os amores, o tropicalismo, o carnaval. Fica o outro, o metrô, o leite fervente. No amor, na mão, na pele, um orgasmo, uma embriaguez, o amigo. Se no fluxo natural, uma colcha, uma carta de amor e um copo d'água na cabeceira. Se de inesperado, um livro rabiscado, um cd recém comprado e um alguém por acertar. Nasce a desumanidade num paradoxo que caracteriza o humano. O não mais, o silêncio, o vazio, alguém está casando agora, enquanto chegam mais e mais flores a outro recinto. A triste constatação da finitude, o desamor involuntário.