sábado, 17 de dezembro de 2011

Dois mil e onze Eus

Passava a temporada de provas e indecisões quanto à carreira a se seguir. Finalmente receberia o resultado daquilo que houvera investido nos últimos anos. Merecia, portanto, férias, boas férias. Visitou os parentes e amigos, que tanto o incentivaram e tentou retribuir a atenção negada nos meses anteriores.
Primeiramente reencontrou os verdadeiros amigos de infância, aqueles com quem dividia banhos, brincadeiras e muitas traquinagens. Mesmo assim, imerso em nostalgia, não conseguia manter-se ali por completo, sua mente o deslocara para outros estados, precisava da confirmação de aprovação naquilo que  tinha garantido monopólio em sua vida nos últimos meses. Não tardou muito e a notícia reconfortante, íntima, mas incrivelmente comunitária foi exposta e entregou-lhe o ingresso para um mundo, que  ele não tinha a noção da grandiosidade.
Já liberto da pressão de outrora, ele partiu para conhecer um indivíduo, um amigo, um irmão, que entre bossas e conselhos, inseriu o calouro da vida em sua caminhada rumo à maturidade.
De volta ao lugar onde formou-se até aquele momento e trazendo na bagagem um arsenal de convicções e concretizações começou a adentrar no recanto que almejou a cada noite mal dormida. Rejeitou a injustiça, purificou-se ao negar o sofrimento alheio em vantagem própria e aceitou definitivamente o que sua racionalidade já latejava: a inexistência de um ser que tudo coordena e condena. Pesquisou, leu e aprendeu sobre os assuntos que antes não possuía a coragem necessária para encará-los.
Fez novos amigos e encontrou pessoas imprescindíveis para sua construção. Deparou-se com ideologias e vem se construindo paulatinamente. Aprendeu na prática o clichê de não julgar o livro pela capa e leu, leu  muito, as literaturas mais excêntricas.
Pela primeira vez preferiu a razão à emoção e travou batalhas constantes contra preceitos tingidos em sua "tábula rasa". Experimentou sabores, aromas e sensações. Foram muitas as sensações, desde a simplicidade de uma gota de chuva até a introspecção de uma lágrima. Dias, meses, anos. 365, 12, 19. Consolidação de verdades, sentimentos e convicções. Reinvenção de um EU.

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