terça-feira, 2 de dezembro de 2014

01

Amarela faz-se a luz dessa cidade que chove hoje em regime de exceção, quase sépia, suas cores me retomam pesares recorrentes aos fins de tarde depois do expediente. Dúvida outra não se faz tão latente em minha mente senão a de encontrar-te, os rios que me ofereces sem saber, são meus bem antes de te encontrar, por isso minha razão se turva, estás me oferecendo a mim mesmo. De uma análise inicial, enxergo a imoralidade de te trazer ao lado, há beleza contigo e em ti, não poderia me esquecer dela. Mas, voltando aos meus quereres, te vejo possível numa fantasia, pelo avesso, na boêmia vontade de viver teu corpo e poesia. Pretendo me desvencilhar de ti, buscar-me em outras belezas, cantorias e rodopios.
Desesperador esse escrito, não falo e só escrevo minhas angústias, mas bordastes figura original em mim, não a compreendo e já a sinto parte integrante. Não prevejo o que pode conhecer para que minha poesia se desentrelace da sua. Vejamos nós. Sejamos nós - onde pudermos.

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