terça-feira, 2 de dezembro de 2014
02
Já se vai o tempo. Joguei-o contra mim ao sentenciar o dia para pôr em ordem os desencontros do pensar. Quantos mistérios cabem na complexa mente humana? Quantos não cabem? Não te busquei por vontade, mas prendeste-me em tua poesia, em ti me fiz lagoa, encontrei o mar. O sentido dessa desaventura, desse nao-querer me corrói os olhos, fecho-os apertado para não pensar em me desfazer de ti. Sou brisa a procura de pássaro, caminho íngreme que não consigo percorrer. No desejar-te, temo perder tranquilidades outras, certezas outras, minutos de bem-querer. Prendeste-me e no entanto quedastes inerte face a minha cólera, romântica cólera que mascaro atrás da consciência timidamente clara de que não posso buscar-te, não posso poetizar-te em mim porque há contra-senso, há outras belezas, moinhos de vento que perto de ti e longe de mim, me mastigam o peito fatalmente irracional.
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