Urgente. Me deparo com as certezas que planejo possuir, são certezas incompletas, mas já formam um tanto enorme delas. A cada viagem, leitura e pessoa mais um conjunto de certezas adentram à lista. Tão revigorante construir certezas. Todavia, tão angustiante delas não usufruir por inteiro. Caminhando no rol de minhas certeza, percebo a dificuldade de vivê-las todas: os discos para ouvir, os livros a ler, instrumentos a aprender, os textos a produzir, tudo tanto, tempo tudo, pouco tempo. Há a faculdade a existir, a prova a cumprir, o título a buscar. A poesia de agora para depois vou deixando, me fazendo, assim, desumanizar. Se de hoje percebo isso, não mais fácil se torna na contra-mão permanecer, estou por dentro consumido pelo peso da efemeridade que impiedosamente me coloca grama por grama um passo mais abaixo de minhas certezas alcançar. Prossigo nos versos, lábios e cabelos agrupando certezas a descobrir com o mesmo intuito de delas todas poder me valer. Encontro na utopia, ela própria, minha maior certeza, o guarda-chuva do equilibrista, a sombra do ipê, a música de Tom Zé, o conseguir viver da certeza que minhas tantas certezas um dia serão tão mais certas ao delas conhecer e por elas outras certezas prever.

Nenhum comentário:
Postar um comentário