sábado, 5 de julho de 2014
Questão
Quantas hipóteses cabem na angústia? Perguntou-se. Ele que entendia de angústia, nunca tinha pensado a respeito, mas agora que o sentimento eletrocutou-lhe de maneira própria, pareceu importante quantificar as hipóteses. Estava apaixonado, não perdidamente, mas achadamente apaixonado. Sendo, pois, um apaixonado, deparou-se com o ônus maior de decifrar os entendimentos do ser por quem se tem amor. Que angustiante amar caminhos de névoa. Quantas direções podem esse amor traçar? Difícil precisar o outro, tal qual preparar-se para definições. Tão mais fácil apenas amar, amar e amado ser, sem caminhos, névoa, sem angústia. Não houvesse o depois, a carreira, o envelhecer, o medo. Não houvesse o decidir, o delimitar, o traçar, o ter. Não houvesse a ilusão inocente de que a liberdade carece de solidão. Tão mais leve seria o pensar, o viver, o viver em companhia. Tão mais leve seria amá-la, pensou. Todavia há. E nesse haver, todos estão lambuzados, invariavelmente, perdida e achadamente, feliz e infelizmente. Friamente lambuzados. Quantas hipóteses cabem na angústia?
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