Javier mantinha uma formiga na palma da mão. Uma formiga que se mostrava inquieta quando sozinha com ele e extremamente relaxada quando entre muitas pessoas. Ele já tinha tentado muitas vezes entender o porquê de preservar aquele inseto consigo, mas nunca alcançou a introspecção necessária para decifrar essa questão. Não lembrava sequer a que altura de sua vida passou a dar morada a uma formiga. Javier sabia, e com muita certeza, porém, que precisava se livrar daquele estranho incômodo. Quando encontrava com outras pessoas, fazia questão de fechar a mão bem forte para impedir que a inusitada presença se fizesse notar. Mas, quando sozinho, não dispunha do incentivo necessário e deixava a palma da mão bem aberta, a ponto de evidenciar o crescente buraco que se formava em sua mão; e nessas horas sofria, sofria como se nada mais fosse suficiente, como um aparelho eletrônico em desuso por conta da inovação tecnológica, nesses momentos era um inútil, o inútil. Javier decidiu, pois, esquecer a formiga, era bem mais fácil, para tanto recorreu a técnicas pouco aceitáveis diante do bom senso: começou a engolir bolas de isopor. Bolas que davam uma sensação incrível de tranquilidade e que faziam a formiga desaparecer, ainda que momentaneamente, já que ela voltava e cavava com ainda mais força o buraco na palma da mão de Javier, logo depois que sua fome por bolas de isopor retornava. Ele, então, começou a ter que comprar bolas de isopor com grande frequência e em uma dessas compras encontrou outras pessoas que mantinham inquilinos insetos em seus próprios corpos; conheceu uma mulher com um grilo na cabeça, um velho com borboletas na barriga e até uma criança com uma cigarra no olvido. Passou a engolir ainda mais bolas de isopor, entretanto o buraco em sua mão só aumentava. Em alguns dias Javier já conseguia ver o mundo através do orifício criado pela formiga. Mas agora parecia menos dolorido, ele já tinha com quem dividir bolas de isopor.
domingo, 6 de maio de 2012
Javier
Javier mantinha uma formiga na palma da mão. Uma formiga que se mostrava inquieta quando sozinha com ele e extremamente relaxada quando entre muitas pessoas. Ele já tinha tentado muitas vezes entender o porquê de preservar aquele inseto consigo, mas nunca alcançou a introspecção necessária para decifrar essa questão. Não lembrava sequer a que altura de sua vida passou a dar morada a uma formiga. Javier sabia, e com muita certeza, porém, que precisava se livrar daquele estranho incômodo. Quando encontrava com outras pessoas, fazia questão de fechar a mão bem forte para impedir que a inusitada presença se fizesse notar. Mas, quando sozinho, não dispunha do incentivo necessário e deixava a palma da mão bem aberta, a ponto de evidenciar o crescente buraco que se formava em sua mão; e nessas horas sofria, sofria como se nada mais fosse suficiente, como um aparelho eletrônico em desuso por conta da inovação tecnológica, nesses momentos era um inútil, o inútil. Javier decidiu, pois, esquecer a formiga, era bem mais fácil, para tanto recorreu a técnicas pouco aceitáveis diante do bom senso: começou a engolir bolas de isopor. Bolas que davam uma sensação incrível de tranquilidade e que faziam a formiga desaparecer, ainda que momentaneamente, já que ela voltava e cavava com ainda mais força o buraco na palma da mão de Javier, logo depois que sua fome por bolas de isopor retornava. Ele, então, começou a ter que comprar bolas de isopor com grande frequência e em uma dessas compras encontrou outras pessoas que mantinham inquilinos insetos em seus próprios corpos; conheceu uma mulher com um grilo na cabeça, um velho com borboletas na barriga e até uma criança com uma cigarra no olvido. Passou a engolir ainda mais bolas de isopor, entretanto o buraco em sua mão só aumentava. Em alguns dias Javier já conseguia ver o mundo através do orifício criado pela formiga. Mas agora parecia menos dolorido, ele já tinha com quem dividir bolas de isopor.
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