sábado, 16 de março de 2013

Um tantinho de mim em você

Mais difícil do que poderia concluir, escrever para ti me fez parar, parar e tentar um grande respiro. Essa rua em que caminhamos e que já ladrilhada estava é de desuniformidade tamanha, por vezes larga a ponto de tornar um olhar inaudível e por vezes estreita unificando o aroma. O certo, todavia, é que caminhamos, caminhamos muito. Não poderia crer que aquela menina que descobria o mundo viria a se eternizar a esse ponto em mim. As coincidências, os planos, a amiga do país das maravilhas, o em comum nos selecionou. Na palheta de momentos construímos um degradê multicolorido. De ofícios compartidos, de fins de semana movimentados (ao nosso modo), de cinema francês, de planos, de planos mirabulantes, de mim, de você, atamos forte o laço ou seria o nó que nos prende? Tua preocupação universal, minhas descobertas, tuas descobertas, nossos banhos de chuva, risadas fáceis, pensamentos afins alicerçaram o hoje. Poderia remover a sua doçura se eu não achasse encantadora, mas ainda assim restaria sua devoção amiga; poderia, então, retirar essa amizade, mas de resto haveria sua inteligência impulsionadora; ainda que sumisse sua  inteligência, sobraria uma beleza mansa que aprisiona; mesmo sem essa beleza, ficaria sua voz que preenche lembranças e equilibra o caos interno dessa redondeza fria. Na certeza do nós, por essa amizade gratuita, te amar baixinho: hoje a primavera é quem faz aniversário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário