terça-feira, 12 de março de 2013
Na rua - O fim de semana.
Sim, eu fujo. Não consigo manter o passo regrado, olhar e não ver. Eu fujo sim, porque sempre e tão logo me firo pelas vistas, pelo cheiro. Não, não é medo, não apenas. Não posso presenciar, imaginar já é doloroso em demasia. Estou perto, mas não posso estar, tento não estar, por mim; meio hipócrita talvez, naufrago em meus pensamentos que quero crer que são poéticos. A ferida aberta por arma mortífera que em mim só de raspão passou, mas que mata, esfacela a maioria, eu finjo já estar sarada: não está. São peles, meninas púberes, famílias do lixo, diferença de natais. Distancio-me dessa concretude fria, trêmula, grande e invisível. Minha escola não foi da natureza bruta, do corte necessário, do papelão e do sangue. Minha dor, por outro lado, é gelada, um anzol mordaz, que me obriga a fugir da realidade presente atrás dessa moldura que insistem em me dizer que é natural. Minha poesia é fugidia demais para tocar, relatar, mirar. Ela só exala minha enfermidade, minha quase loucura, minha, minha. E se uma lágrima decide cair, é melhor pensar na desventura amorosa, na prova por fazer, no próximo fim de semana. E aí, qual a boa do sábado?
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Comecei a acompanhá-lo no blog Rodrigo. E comecei bem, belo texto! Sua poesia paralisa.
ResponderExcluirFico agradecido, Luã!Também tenho acompanhado o Filosofia Esquimó! Obrigado pelas palavras!
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