quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Rabiscos acerca de um corpo

Reli alguns rabiscos não publicados,
eram descrições minuciosas do teu corpo.
No passeio pelo teu dorso
descrevi todos os teus sinais.

Havia a narrativa dos teus pelos
tuas vergonhas confusamente descritas
plenas e perdidas em minhas vergonhas
juntas, unificadas pelo nosso suor.

Em um parágrafo inteiro, teu colo
teu colo despido, caminho inicial dos teus rios.
Tuas águas como batismo reiterado.
A consagração divina do gozo convergido.

Num fragmento textual, a verdade sobre teus olhos,
Tenho medo de teus olhos, eles me estremecem,
eriçam-me os pelos, me roubam a projeção da voz.
dialogo com teus olhos por sussurros, não falo com teus ouvidos,
teus olhos me ouvem, me assentem, enxergo teu corpo neles.

Minhas mãos, pernas, coxas e língua só respondem a teus olhos,
meu sexo olha teus olhos e quando os fechas apertado, junto do corpo torcido
que alívio,
finalmente encontrei você.




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