Hoje emprestei o livro que você me deu. Emprestei com recomendações de uso. Uma recomendação, na verdade, "leia-o, fique com ele quanto tempo quiser". Verdade é que "quanto tempo quiser" não é para sempre. Quanto mais me lembro que emprestei o livro que você me deu, mais eu vejo que não o emprestei. Lembro que prometi não o ler mais. Prometi ler coisa mais próxima, li Jorge Amado. Prometi ler coisa mais verdadeira, li umas tirinhas do Laerte. Estranho é que o livro que você me deu já era próximo, já era verdadeiro, faz Jorge Amado e Laerte meio redundantes. Mas prometi não lê-lo mais. Emprestei o livro que você me deu. Ele fazia Jorge Amado e Laerte redundantes e isso é inadmissível. Por isso prometi não lê-lo mais. Emprestei o livro que você me deu e dei prazo indeterminado de entrega. "Quanto tempo quiser" não é para sempre. "Quanto tempo quiser" poderia ser nunca mais. Mas é que o "poderia" me deixa apreensivo. Agora entendo tudo. Emprestei o livro que você me deu. Emprestei. "Poderia". "Quanto tempo quiser". São erros. Estou errando com o livro que você me deu. Deveria doá-lo. Deveria. Para sempre. Mas "deveria" também é relativo. Estou errando com o livro que você me deu. A culpa não é minha. A Gramática anda muito relativa. O livro que você me deu é muito relativo. Ele faz Jorge Amado e Laerte parecerem redundantes, acredita? É isso, a culpa é do livro. A relatividade da Gramática é culpada. A falta de Fim das palavras. Não é o ponto final que encerra o dizer, pelo contrário, ele só termina de vestir a sua imperfeição. Emprestei o livro que você me deu. Deveria doá-lo. Deveria. A culpa é da Gramática.
domingo, 16 de setembro de 2012
A culpa é da Gramática
Hoje emprestei o livro que você me deu. Emprestei com recomendações de uso. Uma recomendação, na verdade, "leia-o, fique com ele quanto tempo quiser". Verdade é que "quanto tempo quiser" não é para sempre. Quanto mais me lembro que emprestei o livro que você me deu, mais eu vejo que não o emprestei. Lembro que prometi não o ler mais. Prometi ler coisa mais próxima, li Jorge Amado. Prometi ler coisa mais verdadeira, li umas tirinhas do Laerte. Estranho é que o livro que você me deu já era próximo, já era verdadeiro, faz Jorge Amado e Laerte meio redundantes. Mas prometi não lê-lo mais. Emprestei o livro que você me deu. Ele fazia Jorge Amado e Laerte redundantes e isso é inadmissível. Por isso prometi não lê-lo mais. Emprestei o livro que você me deu e dei prazo indeterminado de entrega. "Quanto tempo quiser" não é para sempre. "Quanto tempo quiser" poderia ser nunca mais. Mas é que o "poderia" me deixa apreensivo. Agora entendo tudo. Emprestei o livro que você me deu. Emprestei. "Poderia". "Quanto tempo quiser". São erros. Estou errando com o livro que você me deu. Deveria doá-lo. Deveria. Para sempre. Mas "deveria" também é relativo. Estou errando com o livro que você me deu. A culpa não é minha. A Gramática anda muito relativa. O livro que você me deu é muito relativo. Ele faz Jorge Amado e Laerte parecerem redundantes, acredita? É isso, a culpa é do livro. A relatividade da Gramática é culpada. A falta de Fim das palavras. Não é o ponto final que encerra o dizer, pelo contrário, ele só termina de vestir a sua imperfeição. Emprestei o livro que você me deu. Deveria doá-lo. Deveria. A culpa é da Gramática.
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Adoray o texto *-* Muito bem escrito
ResponderExcluirBrigado, Lary. É tão bom saber disso. Valeu mesmo!
ResponderExcluirEi, boêmio! Não sabia que vc tinha um Blog! :D
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