quinta-feira, 29 de março de 2012
A falácia da convicção
Quando percebeu seus olhos já estavam cheios d'água. Não entendia a visita da melancolia num dia de sol de alma de uma semana que até a chuva não foi afetada pela censura nossa de cada dia. Levantou durante todos os dias com uma respiração funda e de limpeza completa. Realizou suas atividades com um quê de satisfação e dormiu despreocupado, com os dentes por escovar e as leituras por fazer. Contanto, naquele último dia da semana, naquele instante que uma lágrima teimava em percorrer seu rosto, percebeu que levantar com uma respiração funda, fazer o que devia e dormir despreocupado foi justamente o que tinha feito na semana passada, e naquele outra, e ainda na semana que ganhou uma festa com motivos da Disney. Notou que algumas das pessoas que caminhavam com ele estavam desaparecendo, que os anos de estudo estavam passando, que bastariam algumas semanas de respiração funda e sono despreocupado para alcançar o estágio onde o bom-senso impede mudanças bruscas. Decidiu então mudar sua conduta. Não poderia viver com essa determinação. Resolveu apagar a imagem do bom-senso: - "Eu posso fazer o que quiser, quando quiser. Só não estou disposto agora." Triste seria perceber que até o clichê do bom-senso é necessário, mas para que tristeza? Algumas semanas depois uma lágrima percorreu seu rosto.
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