quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Curta-metragem

Por um instante teu cabelo me deu um golpe na cara. Por um momento desejei que aquela noite não acabasse nunca, que teu cheirinho de framboesa continuasse a pintar o céu e inundasse aquele ar não mais impuro. É que a pedra dentro da minha meia nem dói tanto assim, você está perto. Isso importa, isso cala a buzina do gordo estressado no carro de trás; aproxima o cheirinho de sal desse mar de turistas; e até me faz esquecer da luta de classes.
Sabe o que eu queria? Queria uma tela. Não, não, queria uma câmera. Faríamos um filme, um filme daqueles que eu te conto, um filme com trilha francesa. Você faz o perfil da mocinha daquele filme que tenta fugir dos perfis. A gente tem visto tantos assim, né?
Vamos, corre, ainda temos muitos quadros pra filmar. Tenho mil cenas em mente, mas não vai dar tempo. Rápido, vamos correr na praia e deixar o vento fechar os nossos olhos. Vai, vai, temos que correr, ainda temos muito quadros pra filmar antes que eu desperte.

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